Jornal da Associação médica do RS de 2007 com um editorial inteiro sobre as estratégias na época do governo para trazer médicos cubanos para o Brasil sem precisar revalidar o diploma.
Toda essa panaceia sobre o Mais Médicos é uma bomba de fumaça para esconder um objetivo traçado desde a posse de Alexandre Padilha como Ministro da Saúde em 2011: Trazer os médicos cubanos e os brasileiros lá formados (todos por indicação partidária) para trabalharem no Brasil e aqui dominarem os postos públicos de saúde com viés eleitoral. Esse é um projeto antigo de "socializar" a saúde pública traçado desde os tempos em que os atuais secretários e o ministro militavam na DENEM.
Ainda em abril de 2011, no início de seu mandato, Padilha fez um grande evento chamado de "Seminário Nacional sobre Escassez, Provimento e Fixação de Profissionais em Áreas Remotas e de Maior Vulnerabilidade" que estabeleceu as diretrizes que iriam nortear as futuras condutas do MS, dentre elas o PROVAB e o Mais Médicos.
Ainda em 2011 um seminário do Pró-Saúde fundamentou as matrizes ideológicas que norteariam o processo de dominação do SUS por "socialistas".
Em 2012 foi o início da implementação do projeto, com o mapeamento das necessidades locais sob ponto de vista governamental e experimentando a resistência da classe médica com bombas de fumaça. A primeira delas foi o PROVAB, iniciado no fim de 2011 pretendia atrair médicos para o interior oferecendo bolsas de baixo valor (para vínculo exclusivo) e uma proposta de bônus nas provas de residência médica.
Obviamente não funcionou, até porque muitos municípios e o próprio governo falharam em honrar com os compromissos assumidos e também porque São Paulo conseguiu na justiça impedir que os bônus de pontuação de residência fossem usados em seus hospitais. Estudos mostravam que o bônus faria um candidato saltar até 690 posições à frente na classificação final de Clínica Médica da USP e outro estudo mostrou que 90% dos postulantes do PROVAB se inscreveram para residência médica em dermatologia, endocrinologia, ortopedia, cirurgia plástica e oftalmologia. Não preciso falar mais nada.
Apesar disso o PROVAB continuou para manter a imagem de que o Ministério estava se "esforçando" em povoar o interior do Brasil com médicos. Enquanto isso o verdadeiro objetivo era traçado: viabilizar a vinda dos companheiros petistas da ELAM e dos cubanos amigos para doutrinar o eleitorado brasileiro e "tomar posse" do SUS.
Acertos começaram a ser feitos com Cuba e desde meados de 2012 brasileiros já estavam sendo enviados a Cuba para começar a treinar as equipes. Muito antes do Ministro do exterior, Antônio Patriota (de patriota só o nome) "vazar" a vinda de 6.000 médicos cubanos para o Brasil, em maio/13, já estavam definidas as equipes e datas de chegada.
Em abril de 2013 o Jornal espanhol ABC já entrevistava uma brasileira que estava lá ensinando Português básico aos médicos cubanos.
Todos os cubanos que aqui desembarcarão já tiveram aulas de saúde pública brasileira, geografia e noções básicas de convívio regionalizadas. Desde 2012 cada médico cubano já sabe para onde vai, quantos habitantes existem, quem é o líder local, como é o posto, etc. As chamadas 3 semanas de ensino são mera ficção para enganar a população, será apenas um período adaptativo.
Não se sabe se Patriota vazou sem querer ou não, mas a celeuma foi grande demais e o governo fingiu recuar, apenas para baixar a fervura. O fato é que o Mais Médicos seria apenas a vinda dos cubanos e estrangeiros selecionados, mas com a reação local o governo mais uma vez fez um simulacro e inventou essa questão de chamar os médicos brasileiros primeiro e fez de tudo para inviabilizar esses brasileiros de efetivarem sua inscrição, inclusive obrigando pessoas que haviam escolhido a Amazônia a irem para São Bernardo do Campo, conforme denúncia protocolada pelo CFM.
Por fim o simulacro cumpriu seu papel e rapidamente Padilha disse que "o Mais Médicos não deu certo e que era imperioso a vinda dos cubanos". 24h depois já se sabiam o número, as datas de chegada, a formação de cada um e, surpresa, todos falando um portunhol razoável.
O que acabamos de ler não é coisa de gente despreparada, nem feita no improviso, foi um plano profissional executado com sucesso até o presente e que já antecipou vários ataques que viriam a sofrer.
O plano é dominar o SUS e através do SUS dominar a classe médica. Temos que saber onde estamos pisando para saber o que fazer diante desse cenário, onde o SUS ainda é uma ficção no papel mas é usado para justificar a presença de milhares de pelegos e agentes políticos do governo dominando posições e doutrinando populações carentes.
*relatório síntese, publicado em 2012. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/seminario_escassez_profissionais_areas_remotas.pdf
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/Gestor/visualizar_texto.cfm?idtxt=36830&janela=1
***relatório seminário do Pró-Saúde.
http://www.prosaude.org/noticias/2011apres-sem-nac2011/MiltonArrudaSemNac19-10-2011.pdf
****PROVAB.
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/seminario_escassez_profissionais_areas_remotas.pdf
*****Jornal espanhol ABC entrevista uma brasileira
http://www.abc.es/internacional/20130823/abci-brasil-cuba-polemica-cuatro-201308222214.html