A Febre Chikungunya
é uma doença causada por um vírus do gênero Alphavirus transmitida por
mosquitos do gênero Aedes. O
Aedes aegypti e o Aedes albopictus são
os principais vetores.
A doença pode manifestar-se
clinicamente de três formas: aguda, subaguda e crônica.
Na fase aguda os
sintomas aparecem de forma brusca e compreendem febre alta, dores articulares
(artralgia)
(predominantemente nas extremidades e nas grandes articulações), cefaleia e
dores musculares (mialgia). Também é
frequente a ocorrência de exantema maculopapular.
O período médio de
incubação da doença é de três a sete dias (podendo variar de 1 a 12 dias). Os
sintomas costumam persistir por 7 a 10 dias, mas a dor nas articulações pode
durar meses ou anos e, em certos casos, converter-se em uma dor crônica incapacitante
para algumas pessoas.
A doença tem
transmissão autóctone na África e Ásia e, a partir do final de 2013, em
diversos países e regiões do Caribe
(São Martinho/França, São Martinho/Holanda, Martinica, Guadalupe, Dominica, São
Bartolomeu, Ilhas
Virgens Britânicas, República Dominicana, Anguilla, Antígua e Barbuda, Saint
Cristóvão e Nevis, Santa
Lúcia, São Vicente e Granadinas), Haiti, Guiana, Guiana Francesa e Porto Rico.
No Brasil, até o momento, há
registro somente de casos importados, no total de 23, até o dia 8 de julho de
2014. Recentemente foram identificados 13 casos em Feira de Santana-Bahia.
Sinais e Sintomas
A doença aguda é
mais comumente caracterizada por febre de início súbito (tipicamente maior que
38,5°C) e dor articular
intensa.
Os tornozelos,
punho e articulações da mão tendem a ser mais afetadas.
As articulações
maiores como o joelho, ombro e a coluna também podem ser afetadas.
Outros sinais e sintomas
podem incluir cefaléia, dor difusa nas costas, mialgia, náusea, vômito,
poliartrite, erupção cutânea e conjuntivite.
O que pode
contribuir na diferenciação com dengue é o predomínio da dor articular sobre os
outros sintomas, além de o paciente definir claramente quais são as
articulações afetadas.
A fase febril do CHIKV
dura geralmente de 3-10 dias.
Também é frequente
a ocorrência de exantema maculopapular, que se inicia entre o 2º e o 5º dia e
se mantém até o 10º dia.
Evolução
A maioria dos pacientes melhora depois de 7 a 10 dias.
Alguns podem apresentar dores articulares por meses ou
anos, uma proporção variável de casos estas artrites evoluem com dor articular
crônica incapacitante e outros sintomas como poliartrite, tenossinovite e
síndrome de Raynaud.
Os quadros mais graves podem acometer pessoas com risco
acrescido, como idosos (idade igual ou maior do que 65 anos), hipertensos, diabéticos ou portadores de
doenças cardíacas e os recém-nascidos expostos ao vírus durante o parto.
Diagnóstico Laboratorial
Orientações para
coleta de amostras para sorologia, isolamento viral e diagnóstico molecular.
Amostra: Soro
Tempo de coleta na
fase aguda: dentro dos primeiros oito dias de doença.
Fase convalescente:
entre 10 a 14 dias após a coleta da amostra em fase aguda.
Para coleta de
soro:
√Coletar assepticamente 4-5ml de sangue venoso e colocar
no tubo ou frasco;
√Deixar o sangue coagular em temperatura ambiente e
centrifugar a 2.000 rpm para separação do soro.
Coletar o soro em frasco limpo e seco;
√Todas as amostras
clínicas devem ser acompanhadas das informações clínicas e epidemiológicas dos indivíduos.
Outros tipos de amostras para investigação
laboratorial
Espécimes: Líquido
cérebro-espinhal em casos de meningoencefalite
O líquido sinovial
na artrite com derrame
Autopsia: coletar
soro ou tecidos disponíveis
Transporte das
amostras:
√O transporte das amostras para o laboratório deve ser a
2º C -8ºC (caixa de gelo), o mais rápido possível;
√Não congelar o sangue total, pois a hemólise pode interferir
no resultado do teste de sorologia;
√Se ocorrer atraso de mais de 24 horas antes das amostras
serem enviadas para o laboratório, o soro deve ser separado e armazenado em ambiente refrigerado.
As amostras de soro para isolamento viral e o diagnóstico
molecular devem ser armazenados
congelados (ou a -20ºC para armazenamento de curto prazo
ou a -70ºC para armazenamento a
longo prazo).
Tratamento
Não existe
tratamento específico para a infecção aguda pelo vírus Chikungunya.
Analgésicos e
antitérmicos devem ser utilizados para controle da dor e da febre. O uso de AAS
e outros anti-inflamatórios não esteroidais devem ser evitados, até que a
hipótese de dengue seja descartada.
É fundamental não
tomar remédio por conta própria. A automedicação pode mascarar os sintomas,
dificultar o
diagnóstico e agravar o quadro do paciente.
Orientar os
pacientes para procurar a unidade de saúde mais próxima, imediatamente ao
surgirem os primeiros sintomas.
Imunidade
As pessoas expostas ao vírus Chikungunya adquirem
imunidade duradoura, ficando livre de uma nova infecção.
Vigilância Epidemiológica
No momento
epidemiológico atual, o principal objetivo da vigilância é detectar, em tempo
oportuno, os casos suspeitos
importados de CHIKV para permitir um controle adequado, evitando a transmissão autóctone
(originado no próprio pais ou região, não importado).
Havendo transmissão
autóctone, o objetivo será estabelecer uma resposta adequada para interromper a
transmissão.
Definição de caso
suspeito
Paciente com febre de início súbito >38,5°C e
artralgia ou artrite de início súbito não explicada por outras condições e residindo ou tendo visitado áreas endêmicas
(ou epidêmicas) até duas semanas antes do início dos sintomas.
OBS: como a
artralgia aparece em geral a partir do 3º dia de febre, os pacientes que vierem
de áreas endêmicas e apresentarem apenas febre devem ser monitorados para
verificação da
evolução e orientados quanto ao uso de repelentes, para
evitar que o mosquito o pique, se contamine e passe a contaminar outras pessoas.
Definição de caso confirmado
Caso suspeito com
um dos seguintes testes específicos para diagnóstico de CHIKV.
• Isolamento viral.
• Detecção de
fragmento de RNA viral por RT-PCR (em tempo real ou convencional)
• Detecção de IgM
em uma única amostra de soro (coletada durante a fase aguda, primeiros 8 dias
ou convalescente,
10-14 dias após a fase aguda)
• Aumento de quatro
vezes no título de anticorpos IgG específicos para CHIKV (amostras coletadas
com pelo menos 2-3
semanas de diferença).
Notificação
A Febre
Chikungunya é uma doença cuja suspeita deve ser notificada imediatamente (em
menos de 24 horas) para a
Secretaria Municipal, Estadual e Ministério da Saúde, de acordo com o ANEXO I,
da Portaria nº 1.271,
de 06 de junho de 2014, do Ministério da Saúde