ANUNCIOS

ANUNCIOS

FRUSTRAÇÃO DE UMA GRAVIDEZ


O namoro é a fase inicial e lúdica do relacionamento entre o homem e a mulher.

Os primeiros momentos, o primeiro beijo, os sonhos que advém desses instantes, principalmente para a mulher, que agora evoluem para um momento mais avançado e sério desse relacionamento, que é a intimidade.

Ambos sabem que daí em diante, acontecimentos virão independente da vontade deles. A vontade de estarem sempre juntos, a cobrança, o ciúme. Porém, aquele acontecimento que realmente irá marcar essa união, é a gravidez. Desejada? Indesejada? Não importa. Ela vai ser o sêlo daquele relacionamento. Festejada na imensa maioria dos casos. Conflituosa em uma pequena dimensão. Seja qual a situação, ela é cercada de expectativas que com o desenvolver da mesma, torna-se alegria, esperança, desejo, confirmação e afirmação.

Na gravidez, o homem se configura como o senhor todo poderoso, que comprovou a sua masculinidade, pois, teve a capacidade de "fazer" um herdeiro. A mulher tem confirmada a sua feminilidade por poder ser mãe. Independentemente da manutenção daquele relacionamento, ambos, homem e mulher, já podem agora se sentir parte integrante da sociedade, porque tiveram confirmadas a sua função social.

No contexto saúde, a função masculina na gravidez, termina com a cessão do espermatozoide à mulher para que ela possa juntamente com seu óvulo, vir a formar um novo ser social: o filho. Apesar da participação do homem no contexto saúde terminar aí, sua participação no contexto sócio-político-econômico tende a perdurar durante a mesma. Ao contrário da mulher, que mantém seu contexto de saúde permanente, pois, a partir desse momento, iniciam-se alterações em sua saúde física e psíquica, com modificações de projetos de vida, de expectativas, de sonhos e de interesses.

A manutenção ou não desse casal, faz com que suas aspirações se tornem uma só: vislumbrar um futuro promissor para o filho. Com o desenvolvimento da gravidez esse inter-relacionamento se torna a cada dia mais forte. Suas emoções, aspirações e sonhos cada dia mais grandiosos. A barriguinha da mãe cresce e vem à sensação dos primeiros movimentos.

Porém, subitamente, uma notícia inesperada. Um episódio de sangramento e parada dos movimentos no interior de sua barriga. E a notícia trágica: A morte do feto. Mas, por quê? O que eu fiz de errado? São as primeiras perguntas. A tentativa em se encontrar respostas, que na maioria das vezes não serão respondidas, fazem com que a mulher entre em desespero, um choro sem precedente e uma frustração imensa. Tenho que achar um culpado. Foi Deus? Foi o médico? Foi o pai da criança que não me deu o apoio necessário? Por mais que se questione, não existem culpados.

Nenhuma gravidez é igual à outra. Cada uma tem a sua particularidade. Uma mulher pode ter dez gestações. Cada uma será diferente em todo seu contexto. Ah, mas fulana fez tal coisa na sua gravidez e não aconteceu nada. Outra fez certa coisa proibida e seu filho nasceu forte sadio. Algo aconteceu, porém o que importa agora é fazer com que essa mulher não carregue consigo uma culpa que não existe. Precisamos dar o apoio psicológico que necessitam a mãe, o pai, os familiares. Precisamos fazer com que essa mãe não transforme esse momento irreparável em algo perpétuo que poderá refletir negativamente sobre sua capacidade de gerar um novo ser. Esse tema me veio à mente em razão de um atendimento efetuado nesse final de semana no plantão da maternidade, onde uma gestante, em sua 4ª gravidez, com 22 semanas, com historia de dores no baixo ventre, teve o diagnostico de trabalho de parto com feto morto. Seu desespero, seu choro constante incontrolável, comoveu a toda equipe. Independente do numero de gravidezes, essa mulher sentiu muito aquela perda irreparável.

Nenhum comentário:

PROTESTE