Hoje no plantão da maternidade havia tranquilidade, o que não é muito comum, eu pensava sobre o que poderia escrever nesse dia, quando entrou no consultório uma gestante em trabalho de parto e como normalmente faço, realizei a abordagem inicial e encaminhei a mesma para o local de exame, no qual procedi o mesmmo, onde foi constatado que ela se encontrava em trabalho de parto.
Quando comecei o procedimento de internação da parturiente, qual não foi a minha surpresa ao verificar que a mesma tinha 14 anos de idade, completados em dezembro passado, sendo que tinha engravidado com 13 anos. Comecei então a indagação sobre sua gestação e percebi que ela tinha iniciado sua vida sexual com 12 anos!!!! E que engravidou porque quis. Infelizmente, essa é a realidade de muitas adolescentes, sem uma orientação familiar, pois, na maioria dos casos as mães são solteiras, com mais de um filho, tendo que trabalhar durante todo o dia para sustentar suas famílias, não podendo dessa forma dar uma orientação melhor a seus filhos, transferindo essa obrigação para as escolas, geralmente publicas, que não são estruturadas para a prestação desse tipo de aconselhamento. Grande parte dessas adolescentes engravidam com intuito de sair, através do pseudo casamento, de uma vida dura e da miséria na qual se encontram.
Acompanhada por sua avo que teve 13 partos, foi a adolescente encaminhada para sala de pre-parto, onde evoluiu com o parto. Durante a fase de preparação da documentação para seu internamento, fiz ver a menor, que parto não é brincadeira e que ela iria sentir dores reais e de grande intensidade. Disse ainda, que no momento que antecedesse a expulsão do feto pelo útero, essas dores iriam aumentar muito e que a única maneira dela amenizar essas dores seria o esforço que teria que desprender para ajudar o útero em sua expulsão. Informei ainda que se ela quisesse acelerar seu trabalho de parto, deveria estar fazendo força com sua musculatura abdominal e perineal, permitindo que dessa forma seu feto descesse mais rapidamente. Ah! e que não adiantaria ficar gritando, pois dessa forma atrapalharia o desenvolvimento do parto. Pois, fiquem pasmos: a criança não deu um pio sequer e ajudou de maneira tal que o "trabalho" de parto demorou somente cerca de 07 horas, desde sua entrada no hospital até o momento do nascimento. Fiquei estarrecido e emocionado com a coragem da jovem mãe, que enfrentou com bravura e tenacidade a dura batalha da parturição.
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