SERTÃO E AGRESTE
Com
a presença do presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto
d`Ávila, as entidades médicas de Pernambuco – Conselho Regional e
Sindicato dos Médicos – divulgaram o resultado da Caravana, realizada
entre os dias 16 e 20 de setembro, nas nove cidades mais atingidas pelo
processo da seca deste ano no Agreste e Sertão.
A
água, o foco da Caravana da Seca, é um problema grave nos municípios,
segundo os médicos. A maioria da população só recebe água a cada quinze
dias ou mensalmente, embora mantenha o pagamento da conta em dia. Muitos
deles precisam comprar baldes e tonéis, que custam R$ 5 e R$ 10,
respectivamente, ou pagar o valor de R$ 120 por um carro pipa. Essa
realidade atinge cerca de 60% dos entrevistados. "Isso sem falar na
qualidade da água, que teremos o resultado do material coletado nos
hospitais e escolas públicas na próxima semana", disse a presidente do
Cremepe, Helena Carneiro Leão. Os médicos aguardam o resultado das
análises bacteriológicas das amostras da água e, assim, poderão saber se
há presença de bacilos ou coliformes fecais.
Também
foram encontrados diversos problemas nas unidades de saúde e hospitais,
assim como na merenda escolar. "Em Serra Talhada, por exemplo, a
merenda escolar é só angu e leite e ainda é divida com o presídio.
Precisamos saber da prefeitura o porquê disso. Por outro lado, em Caetés
e Bom Conselho, as crianças comem arroz, feijão, carne, macarrão e
frutas", questionou dÁvila. Cerca de 27% dos professores, por sua vez,
apresentaram pressão alta acima da média. "Esse número pode estar
relacionado ao estresse do ambiente de trabalho", afirmou dÁvila.
Nas
escutas de rua, as entidades puderam concluir que metade da população
diz ter sede e fome, tornando a vida mais difícil na Zona Rural,
realidade que culmina com o desejo de 59% dos habitantes de sair de onde
moram. Diante dessa realidade, 52% afirmam não receber ajuda do
governo. "Não há acesso ao lazer, o consumo do crack e a violência
doméstica têm aumentado e as obras da transposição estão paralisadas",
disse dÁvila.
No
setor da saúde quase todos os vínculos são precários. "Os contratos são
feitos de boca, o médico não tem nenhuma garantia trabalhista e também
não recebe os salários altíssimos que são divulgados", denunciou dÁvila.
Em Bom Conselho, Agreste de Pernambuco, o Hospital Monsenhor Alfredo
Dâmaso, por exemplo, que atende cerca de 200 pacientes por dia, possui
apenas um médico no plantão noturno durante quatro dias da semana.
"Muitas vezes o profissional tem que trabalhar 48 ou até 72 horas
seguidas para não deixar o plantão desfalcado", denunciou dÁvila. Além
disso, o hospital não possui material de reanimação na sala de parto e
na sala vermelha. A equipe de caravaneiros detectou, ainda, que a
unidade possui apenas uma enfermeira por dia e, muitas vezes, por apenas
12 horas.
O
presidente do CFM aproveitou a ocasião para criticar o "abandono" do
SUS e o Programa Mais Médicos. "Nos últimos dez anos, foram fechados 280
hospitais e 47 mil vagas de unidades básicas de saúde deixaram de
existir. Além disso, o Governo Federal fechou 13 mil leitos de 2010 pra
cá. Vamos enfrentar o factóide de que precisamos de médicos estrangeiros
com fatos e contra eles não há argumentos", finalizou.
O
resultado da visita e os relatórios da análise laboratorial da
qualidade de água serão enviados às autoridades responsáveis como
Secretarias Municipais de Saúde, Secretaria Estadual de Saúde,
Ministério da Saúde, Gabinete da Presidência, Ministério Público
estadual e Federal e Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
2123 5755
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