O 55º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, que está
acontecendo em três pisos do Centro de Convenções da Bahia, entrou em
seu penúltimo dia com debates, palestras, cursos e troca de experiências
entre especialistas, pesquisadores, médicos e estudantes da área. A
edição conseguiu atrair cerca de 8 mil profissionais.
Um dos assuntos que mais prendeu a atenção dos participantes foi o
alerta para a vacina contra o HPV em meninas a partir de nove anos e
mulheres adultas até 55 anos ou mais, uma ferramenta que pode evitar o
câncer do colo do útero, o segundo tipo de câncer mais prevalente no
Brasil e que a cada ano faz mais de quatro mil vítimas fatais.
Promovido pela Sociedade de Ginecologia da Bahia (Sogiba), o evento
discute a saúde da mulher considerando todos os aspectos. De acordo com
a médica Nilma Antas Neves, que presidente do Comitê de Vacinas da
Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a mulher
deve entender que existe vacinas, devem ser tomadas e deixar de lado o
conceito de que vacina é só para criança. “O principal alerta é de que
se não for tomada problemas graves podem ocorrer”, alertou.
A ginecologista nomeia as vacinas fundamentais para mulheres: a vacina
mais indicada de HPV, doença sexualmente transmissível, pode ser
aplicada “a partir dos 9 anos de idade e não tem limite superior, até
mais de 55 anos”, argumentou a especialista, acrescentando que o
principal foco desta vacina é de que as mulheres antes e depois de
terem relação sexual podem se prevenir de doenças que podem adquirir no
decorrer de relacionamentos.
A especialista explica que com a mudança do comportamento sexual tem
ocorrido alta prevalência de infecção por HPV em mulheres na fase
madura, por isso, a imunização é tão importante. Ela esclarece que a
vacina é importante mesmo para as mulheres que já tiveram relação
sexual, pois elas vão se proteger dos tipos para os quais ainda não
foram infectadas e prevenir a reinfecção
dos tipos que já estiveram
expostas.
O vírus do papiloma humano (VPH ou HPV, do inglês human papiloma virus)
infecta os queratinócitos da pele ou mucosas, e possui mais de 200
variações diferentes. A maioria dos subtipos está associada a lesões
benignas, tais como verrugas, mas certos tipos são frequentemente
encontrados em determinadas neoplasias como o cancro do colo do útero,
do qual se estima que sejam responsáveis por mais de 90% de todos os
casos verificados.
A principal forma de transmissão do HPV é por via sexual, sendo a
doença sexualmente transmissível (DST) mais frequente. Estima-se que 25 a
50% da população feminina mundial esteja infectada e que 75% das
mulheres contraiam a infecção durante algum período das suas vidas. No
Brasil é o segundo câncer prevalente e que a cada ano faz mais de
quatro mil vítimas fatais.
Outra vacina importante é a da Hepatite B, que é transmitida pela
relação sexual e objetos contaminados como alicates de unha. “Esta
doença pode levar ao câncer de fígado”, adverte a médica. A especialista
acrescenta duas vacinas fundamentais para a gestante: contra gripe e
coqueluche. Esta última, caso não o faça “a mulher pode levar à morte o
recém-nascido”.
Ela destaca que a vacinação é importante em todas as fases da vida, mas
antes da gestação ela tem valor especial, já que algumas doenças podem
ser transmitidas da mãe para o feto ou recém-nascido, como é o caso da
coqueluche, que tem apresentado um aumento acentuado no número de mortes
em recém-nascidos em todo o mundo. Neste caso, a vacina tríplice
bacteriana previne que a mãe contraia a coqueluche e a transmita ao
bebê. Também há outras vacinas importantes para a mulher como a contra a
meningite Meningocócica e Hepatite A.
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