Tenha o medicamento sempre à mão
Os pacientes com enxaquecas frequentes e crise
de dor forte devem sempre andar com seus medicamentos. "Isso porque
algum tempo após a dor de cabeça se iniciar ocorre um processo de
sensibilização central, que mantém a dor e a torna mais rebelde aos
analgésicos, diminuindo sua eficácia", diz o neurologista Antonio Cezar
Galvão, do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de
Julho, em São Paulo. Ou seja, quanto mais tempo você esperar para tratar
a crise de enxaqueca, mais resistente a dor estará à medicação. Além
disso, é importante que o remédio tenha sido prescrito pelo seu médico,
pois cada tipo de enxaqueca e cada pessoa melhora com um tipo de
analgésico. "Dessa forma, o paciente evita o abuso de analgésicos
simples, que podem não ser suficientes para a sua enxaqueca e até mesmo
torná-la crônica", completa a neurologista Valéria Bahia, do Hospital
Samaritano de São Paulo.
Preveja uma crise
Quando o paciente apresenta sintomas visuais ou
sensitivos antes da dor ele tem a chamada enxaqueca com aura. Essas
sensações podem durar de poucos minutos até uma hora, seguidos de dor de
cabeça muito forte. "Entre os sinais mais comuns de enxaqueca com aura
estão pontos brilhantes ou manchas escuras em forma de mosaico na visão e
dormências ou formigamentos em apenas um lado do corpo", diz a
neurologista Celia Roesler, da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Mas, de
acordo com a especialista, mesmo as enxaquecas sem aura podem ser
premeditadas, pois o paciente pode ficar inquieto, sonolento, irritado
ou eufórico, com desejo de comer comidas específicas, principalmente
doces. "Alguns pacientes apresentam sintomas até um dia antes da crise
como bocejos e aumento de apetite", ressalta o neurologista Antonio.
Nesses casos, você já pode se preparar melhor para a crise, cancelando
compromissos e até mesmo iniciando o uso da medicação.
Entenda o que desencadeia sua enxaqueca
Antes de sair seguindo os conselhos de parentes
ou amigos que também sofrem de enxaqueca, saiba que os gatilhos para uma
crise são diferentes em cada pessoa, bem como os fatores que ajudam a
amenizar os sintomas. "Os desencadeantes de uma crise podem ser
alimentos, estresse, alterações do sono, jejum, estado climático,
alterações hormonais e muitos outros", alerta o neurologista Antonio.
Inclusive, algumas pessoas não possuem qualquer desencadeante
específico. Por isso, o que melhora a crise para uma pessoa pode não
ajudar em outra, cabendo a cada um prestar atenção em seus próprios
agentes desencadeantes e o que pode ser feito para evitar ou amenizar a
dor quando ela vier. Alguns dos tratamentos não medicamentosos mais
comuns incluem compressas quentes ou frias, massagens, terapia de
biofeedback, homeopatia e acupuntura.
Trate os sintomas separadamente
De todos os tipos de dores de cabeça, a enxaqueca
é a mais rica de sintomas. Náuseas, vômitos, diarreia, sensibilidade à
luz, cheiros, barulhos e movimentos, irritabilidade, sonolência e
depressão são apenas alguns dos incômodos que podem acompanhar uma
crise. "Como o analgésico trata apenas a dor da enxaqueca, o paciente
que tiver esses outros sintomas muito acentuadamente deve tratá-los de
forma tópica", explica a neurologista Celia. Esse cuidado é redobrado
com aqueles que sofrem com vômitos, pois ele pode perder os analgésicos,
precisando ir ao pronto socorro para receber drogas injetáveis. "Quando
o paciente relata vômitos intensos é conveniente medicá-lo com um
antiemético conjuntamente com os medicamentos analgésicos - e alguns
antieméticos parecem ter até um efeito sobre a dor", completa o
neurologista Antonio.
Descanse em um local escuro e silencioso
Durante uma crise o paciente não suporta
ambientes barulhentos e com muita luz, podendo esses fatores serem até
mesmo desencadeantes do quadro." A pessoa com enxaqueca possui anomalias
neuroquímicas que tornam o seu cérebro mais ?irritável? do que os
outros, respondendo de forma exagerada a estímulos como luz e barulho",
explica o neurologista Antonio. Assim, durante uma crise, o ideal é se
sentar o deitar ? o que for mais confortável - em um local com pouca luz
e sem barulhos, evitando ao máximo conversas e atividades que o tirem
do repouso. "Aqueles que possuem enxaquecas mais fracas podem melhorar
completamente com o repouso, dispensando o uso de analgésicos", diz a
neurologista Valéria.
Faça refeições leves e hidrate-se
Ainda que o desencadeante da sua crise não seja a
alimentação, uma dieta leve rica em líquidos no momento da crise pode
ser muito útil. Nos casos em que não há vômito, o jejum prolongado pode
inclusive agravar a enxaqueca. Beba muito líquido para se manter
hidratado, tanto água quanto soluções hidratantes disponíveis no
mercado. "Porém, se o paciente estiver vomitando, o melhor é não ingerir
alimentos sólidos e, em casos graves, procurar um pronto atendimento
para receber medicações injetáveis mais potentes", explica a
neurologista Celia.
Se prepare nos dias de estresse
"Apesar de existirem vários fatores
desencadeantes de uma enxaqueca, o gatilho mais importante é, sem
dúvida, o estresse emocional", afirma Celia Roesler. Situações como
muitas horas no trânsito, cobranças no trabalho, excesso de horas
trabalhadas e discussões familiares contribuem para que o cérebro do
paciente produza mais noradrenalina, uma substância vasoconstritora que
agravará ainda mais a dor de cabeça. Como é impossível fugir
completamente do estresse e nem sempre é fácil evitá-lo, é importante
que o paciente já esteja preparado para uma crise em dias que ele sabe
que serão mais difíceis. Manter as medicações à mão, já fazer uma dieta
mais leve e considerar sair mais cedo do trabalho, quando possível, são
algumas alternativas.
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