---------- Mensagem encaminhada ----------
|
Hacker de 19 anos revela como fraudou eleição
Um novo caminho para
fraudar as eleições informatizadas brasileiras foi apresentado para as
mais de 100 pessoas que lotaram durante três horas e meia o auditório da
Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro (SEAERJ), na
Rua do Russel n° 1, no decorrer do seminário "A urna eletrônica é
confiável?", promovido pelos institutos de estudos políticos das seções
fluminense do Partido da República (PR), o Instituto Republicano; e do
Partido Democrático Trabalhista (PDT), a Fundação Leonel Brizola-Alberto
Pasqualini.
Acompanhado por um
especialista em transmissão de dados, Reinaldo Mendonça, e de um
delegado de polícia, Alexandre Neto, um jovem hacker de 19 anos,
identificado apenas como Rangel por questões de segurança, mostrou como —
através de acesso ilegal e privilegiado à intranet da Justiça Eleitoral
no Rio de Janeiro, sob a responsabilidade técnica da empresa Oi –
interceptou os dados alimentadores do sistema de totalização e, após o
retardo do envio desses dados aos computadores da Justiça Eleitoral,
modificou resultados beneficiando candidatos em detrimento de outros –
sem nada ser oficialmente detectado.
"A gente entra na rede
da Justiça Eleitoral quando os resultados estão sendo transmitidos para a
totalização e depois que 50% dos dados já foram transmitidos, atuamos.
Modificamos resultados mesmo quando a totalização está prestes a ser
fechada", explicou Rangel, ao detalhar em linhas gerais como atuava para
fraudar resultados.
O depoimento do hacker –
disposto a colaborar com as autoridades – foi chocante até para os
palestrantes convidados para o seminário, como a Dra. Maria Aparecida
Cortiz, advogada que há dez anos representa o PDT no Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) para assuntos relacionados à urna eletrônica; o
professor da Ciência da Computação da Universidade de Brasília, Pedro
Antônio Dourado de Rezende, que estuda as fragilidades do voto
eletrônico no Brasil, também há mais de dez anos; e o jornalista Osvaldo
Maneschy, coordenador e organizador do livro Burla Eletrônica, escrito
em 2002 ao término do primeiro seminário independente sobre o sistema
eletrônico de votação em uso no país desde 1996.
Rangel, que está vivendo
sob proteção policial e já prestou depoimento na Polícia Federal,
declarou aos presentes que não atuava sozinho: fazia parte de pequeno
grupo que – através de acessos privilegiados à rede de dados da Oi –
alterava votações antes que elas fossem oficialmente computadas pelo
Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
A fraude, acrescentou,
era feita em benefício de políticos com base eleitoral na Região dos
Lagos – sendo um dos beneficiários diretos dela, ele o citou
explicitamente, o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado
do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Paulo Melo (PMDB). A deputada
Clarissa Garotinho, que também fazia parte da mesa, depois de dirigir
algumas perguntas a Rangel - afirmou que se informará mais sobre o
assunto e não pretende deixar a denúncia de Rangel cair no vazio.
Fernando Peregrino, coordenador do seminário, por sua vez, cobrou providências:
"Um crime grave foi
cometido nas eleições municipais deste ano, Rangel o está denunciando
com todas as letras – mas infelizmente até agora a Polícia Federal não
tem dado a este caso a importância que ele merece porque ele atinge a
essência da própria democracia no Brasil, o voto dos brasileiros" –
argumentou Peregrino.
Por ordem de
apresentação, falaram no seminário o presidente da FLB-AP, que fez um
histórico do voto no Brasil desde a República Velha até os dias de hoje,
passando pela tentativa de fraudar a eleição de Brizola no Rio de
Janeiro em 1982 e a informatização total do processo, a partir do
recadastramento eleitoral de 1986.
A Dra. Maria Aparecida
Cortiz, por sua vez, relatou as dificuldades para fiscalizar o processo
eleitoral por conta das barreiras criadas pela própria Justiça
Eleitoral; citando, em seguida, casos concretos de fraudes ocorridas em
diversas partes do país – todos abafados pela Justiça Eleitoral.
Detalhou fatos ocorridos em Londrina (PR), em Guadalupe (PI), na Bahia e
no Maranhão, entre outros.
Já o professor Pedro
Rezende, especialista em Ciência da Computação, professor de
criptografia da Universidade de Brasília (UnB), mostrou o trabalho
permanente do TSE em "blindar" as urnas em uso no país, que na opinião
deles são 100% seguras. Para Rezende, porém, elas são "ultrapassadas e
inseguras". Ele as comparou com sistemas de outros países, mais
confiáveis, especialmente as urnas eletrônicas de terceira geração
usadas em algumas províncias argentinas, que além de imprimirem o voto,
ainda registram digitalmente o mesmo voto em um chip embutido na cédula,
criando uma dupla segurança.
Encerrando a parte
acadêmica do seminário, falou o professor Luiz Felipe, da Coppe da
Universidade Federal do Rio de Janeiro, que em 1992, no segundo Governo
Brizola, implantou a Internet no Rio de Janeiro junto com o próprio
Fernando Peregrino, que, na época, presidia a Fundação de Amparo à
Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj). Luis Felipe reforçou a ideia de que
é necessário aperfeiçoar o sistema eleitoral brasileiro – hoje
inseguro, na sua opinião.
O relato de Rangel –
precedido pela exposição do especialista em redes de dados, Reinaldo,
que mostrou como ocorre a fraude dentro da intranet, que a Justiça
Eleitoral garante ser segura e inexpugnável – foi o ponto alto do
seminário.
Peregrino informou que o
seminário será transformado em livro e tema de um documentário que com
certeza dará origem a outros encontros sobre o mesmo assunto – ano que
vem. Disse ainda estar disposto a levar a denuncia de Rangel as últimas
consequências e já se considerava um militante pela transparência das
eleições brasileiras: "Estamos aqui comprometidos com a transparência do
sistema eletrônico de votação e com a democracia no Brasil", concluiu.
(OM)
Agora, pense:
"Por que os
Estados Unidos, país da informática, e maior nação do mundo, nunca
implantou o sistema de urnas eletrônicas nas suas eleições, preferindo a
cédula de papel??
|
.x_notviscode, .notviscode { visibility: hidden; width: 0px; height: 0px; display: none; }
Nenhum comentário:
Postar um comentário