16/06/2014
às 19:00PT quer cortar empregos aqui e gerar empregos lá; trata-se de mais uma ameaça aos genéricos
Vocês se lembram que denunciei aqui,
no dia 4 de junho, que o governo Dilma está pressionando a indústria
farmacêutica brasileira a abrir fábricas em Cuba para a produção de
biossimilares, que seriam exportados para a América Latina e Caribe,
inclusive o Brasil? Sim, brasileiras e brasileiros, a petezada que
comanda o país quer gerar empregos em Cuba, o que certamente
desempregará brasileiros; quer gerar divisas para Cuba, o que certamente
será ruim para a balança comercial brasileira; quer dar velocidade, em
suma, ao PAC, o Programa de Aceleração de… Cuba!
A
repórter Talita Fernandes, da VEJA.com, foi atrás da história. O
Planalto, claro!, nega que esteja fazendo essa ursada com os
brasileiros, mas, oh surpresa!, o Granma, o jornal do Partido Comunista —
é aquele cujo endereço na Internet é “Granma.cu” (sem querer ofender
petistas, é claro!) — confirma. Vejam trecho do artigo. A íntegra está aqui.
Retomo
Em “comunistês”, tudo é uma maravilha, e os dois países sairão ganhando. Em “verdadês”, o governo petista pressiona a indústria farmacêutica brasileira a transferir parte de suas plantas industriais para Cuba. Chegou a hora de a oposição convocar o sr. Arthur Chioro, ministro da Saúde, e os representantes da indústria farmacêutica para falar no Congresso. Segue a reportagem da VEJA.com. Volto para encerrar.
*O governo brasileiro mostra-se incansável quando o assunto é colocar-se em maus lençóis em nome de sua simpatia pelo regime dos irmãos Castro, em Cuba. Não bastasse a utilização de quase 700 milhões de dólares em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a construção do Porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, a nova empreitada que vem sendo orquestrada pela alta cúpula prevê, conforme revelou o colunista do site de VEJA Reinaldo Azevedo, a ida de empresas farmacêuticas brasileiras para produzir medicamentos em solo cubano. A estratégia é tentar rentabilizar a zona portuária por meio da exportação de remédios produzidos em parceria entre estatais cubanas e empresas brasileiras — em especial fabricantes de genéricos e biossimilares. Desde a inauguração da primeira fase do terminal de contêineres do porto, em janeiro, o governo vem travando uma ofensiva velada para levar executivos a Cuba para participar de grupos de trabalho. O alto escalão da República tem atuado, por assim dizer, como lobista de primeira linha dos irmãos Castro, sem que qualquer contrapartida benéfica para o Brasil seja posta na mesa. Mas a estratégia tem encontrado resistência: o alto custo de instalação de indústrias na ilha e as dificuldades de exportação de produtos, devido ao embargo econômico, tornam a empreitada economicamente inviável. Além disso, a razão de o governo demandar investimentos em Cuba, e não no Brasil, está cercada de pontos nebulosos. Afinal, costurar acordos com outros países com o objetivo de estimular a indústria nacional é agenda mais que bem-vinda para o país. Contudo, não há lógica que justifique lançar mão do mesmo expediente para criar (mais um) pacote de bondades para Cuba.
Em “comunistês”, tudo é uma maravilha, e os dois países sairão ganhando. Em “verdadês”, o governo petista pressiona a indústria farmacêutica brasileira a transferir parte de suas plantas industriais para Cuba. Chegou a hora de a oposição convocar o sr. Arthur Chioro, ministro da Saúde, e os representantes da indústria farmacêutica para falar no Congresso. Segue a reportagem da VEJA.com. Volto para encerrar.
*O governo brasileiro mostra-se incansável quando o assunto é colocar-se em maus lençóis em nome de sua simpatia pelo regime dos irmãos Castro, em Cuba. Não bastasse a utilização de quase 700 milhões de dólares em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a construção do Porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, a nova empreitada que vem sendo orquestrada pela alta cúpula prevê, conforme revelou o colunista do site de VEJA Reinaldo Azevedo, a ida de empresas farmacêuticas brasileiras para produzir medicamentos em solo cubano. A estratégia é tentar rentabilizar a zona portuária por meio da exportação de remédios produzidos em parceria entre estatais cubanas e empresas brasileiras — em especial fabricantes de genéricos e biossimilares. Desde a inauguração da primeira fase do terminal de contêineres do porto, em janeiro, o governo vem travando uma ofensiva velada para levar executivos a Cuba para participar de grupos de trabalho. O alto escalão da República tem atuado, por assim dizer, como lobista de primeira linha dos irmãos Castro, sem que qualquer contrapartida benéfica para o Brasil seja posta na mesa. Mas a estratégia tem encontrado resistência: o alto custo de instalação de indústrias na ilha e as dificuldades de exportação de produtos, devido ao embargo econômico, tornam a empreitada economicamente inviável. Além disso, a razão de o governo demandar investimentos em Cuba, e não no Brasil, está cercada de pontos nebulosos. Afinal, costurar acordos com outros países com o objetivo de estimular a indústria nacional é agenda mais que bem-vinda para o país. Contudo, não há lógica que justifique lançar mão do mesmo expediente para criar (mais um) pacote de bondades para Cuba.
Em
janeiro, a presidente Dilma Rousseff, o então ministro da Saúde,
Alexandre Padilha, e seu sucessor, Arthur Chioro — que está à frente da
pasta desde que Padilha saiu para candidatar-se ao governo paulista pelo
PT — convidaram empresários do setor farmacêutico, que ouviram da
própria presidente a intenção do governo de levar empresas brasileiras
para se instalar na Zona Especial do Porto de Mariel e desenvolver a
economia local. A estratégia é construída com base no argumento das
vantagens tributárias e alfandegárias da Zona Especial. Contudo, mesmo
com todos os incentivos, empresários ouvidos pelo site de VEJA se
mostraram céticos.
Inviabilidade econômica
Os convites vêm confundindo o empresariado porque contrariam o próprio plano que o governo brasileiro tem para o setor farmacêutico. “Não faz o menor sentido, pois o Brasil já tem uma estratégia bem desenhada para o setor, que é de estimular a indústria nacional por meio das próprias compras governamentais. O plano para Cuba vai contra a própria política industrial”, diz Dante Alário Junior, sócio e responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento e inovação da Biolab. Sua empresa já recebeu vários convites para participar de eventos promovidos pelo governo brasileiro em Cuba e investir na ilha — o último deles ocorreu no início de junho — mas não tem interesse na empreitada porque já investe num projeto de internacionalização nos Estados Unidos. “Cuba foi descartada porque não temos condições de investir também lá. Não faz sentido para a empresa”, afirma.
Os convites vêm confundindo o empresariado porque contrariam o próprio plano que o governo brasileiro tem para o setor farmacêutico. “Não faz o menor sentido, pois o Brasil já tem uma estratégia bem desenhada para o setor, que é de estimular a indústria nacional por meio das próprias compras governamentais. O plano para Cuba vai contra a própria política industrial”, diz Dante Alário Junior, sócio e responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento e inovação da Biolab. Sua empresa já recebeu vários convites para participar de eventos promovidos pelo governo brasileiro em Cuba e investir na ilha — o último deles ocorreu no início de junho — mas não tem interesse na empreitada porque já investe num projeto de internacionalização nos Estados Unidos. “Cuba foi descartada porque não temos condições de investir também lá. Não faz sentido para a empresa”, afirma.
Outro
executivo do setor ouvido pelo site de VEJA, que prefere não ter seu
nome revelado, afirmou que os empresários se mantêm descrentes em
relação à viabilidade dos investimentos. “O setor farmacêutico sempre
foi cético com a possibilidade de Cuba suprir um negócio que exige alta
tecnologia”, disse. Parte do pessimismo deve-se também ao fato de as
empresas brasileiras já estarem firmando acordo com multinacionais de
outros países para produzir medicamentos (em especial os biossimilares),
sobretudo americanas e europeias. O embargo econômico a Cuba anula a
viabilidade, diz o executivo, porque impede que tais empresas consigam
exportar os medicamentos produzidos na ilha para mercados consumidores
importantes, como Estados Unidos e México, que têm proximidade
geográfica.
As
farmacêuticas vêm sendo procuradas há mais de um ano para realizar
investimentos em Cuba. Num primeiro momento, o contato foi estabelecido
por intermédio da Odebrecht, responsável pela construção do porto
cubano. Em 2014, o governo passou a fazer os convites, excluindo da
lista as empresas associadas à Interfarma, que são essencialmente
estrangeiras. Procurada pela reportagem, a Odebrecht disse que “apoia o
acordo bilateral entre Brasil e Cuba no desenvolvimento de
medicamentos”. A companhia, inclusive, assinou um Memorando de
Entendimentos com a farmacêutica cubana Cimab para a criação de uma
joint-venture na ilha. Contudo, o acordo nunca saiu do papel.
Mesmo
sem um interesse claro em investir na ilha, as empresas são alvo de
tamanha insistência do governo — em especial do Ministério da Saúde e do
Desenvolvimento — que não ousam declinar totalmente as ofertas de
negócios. “As que foram a Cuba quiseram atender a um pedido da
Presidência. É muito difícil não ir”, disse o médico e deputado federal
Eleuses Paiva (PSD-SP), que está ciente das conversas no Ministério da
Saúde. “Agora, se as indústrias forem se instalar, é porque o governo
está montando situações econômicas fantásticas”, disse o deputado. “A
indústria de genéricos acabou de construir um parque nacional. É tudo
recente demais para ir a Cuba”, disse.
De Brasília a Havana
A última reunião realizada em Cuba ocorreu nos dias 5 e 6 de junho, liderada pelo Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. O encontro contou também com a participação de executivos da Eurofarma, da PróGenéricos (Associação dos produtores de medicamentos genéricos) e de representantes da Fiocruz e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Procuradas, as empresas participantes negaram que o encontro tenha sido realizado com o objetivo de levar as farmacêuticas a se instalarem em Cuba. Contudo, a pauta do encontro, à qual o site de VEJA teve acesso, mencionava a discussão de “investimentos no Porto de Mariel”.
A última reunião realizada em Cuba ocorreu nos dias 5 e 6 de junho, liderada pelo Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. O encontro contou também com a participação de executivos da Eurofarma, da PróGenéricos (Associação dos produtores de medicamentos genéricos) e de representantes da Fiocruz e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Procuradas, as empresas participantes negaram que o encontro tenha sido realizado com o objetivo de levar as farmacêuticas a se instalarem em Cuba. Contudo, a pauta do encontro, à qual o site de VEJA teve acesso, mencionava a discussão de “investimentos no Porto de Mariel”.
Comandante
da missão, Carlos Gadelha é um dos nomes do Ministério da Saúde citados
nos escândalos da Operação Lava-Jato. Conduzida pela Polícia Federal, a
Operação desmontou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro
orquestrado pelo doleiro Alberto Youssef, preso desde março e pivô dos
escândalos. O laboratório comandado pelo doleiro, o Labogen, é apontado
pela Polícia Federal como o carro-chefe do esquema de lavagem de
dinheiro. Durante as investigações, a PF interceptou conversa telefônica
entre o empresário Pedro Argese e Youssef, relacionadas à assinatura de
parcerias entre o Ministério da Saúde e empresas privadas. Em um dos
trechos, Argese comenta ter conversado com Gadelha. De acordo com a
transcrição, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, o secretário
teria prometido dar todo o apoio possível para a retomada do Labogen.
O
Ministério da Saúde nega que o governo brasileiro queira incentivar a
instalação de empresas farmacêuticas em Cuba. Afirmou que o encontro de
junho teve “por objetivo o monitoramento e avaliação das prioridades
científicas, tecnológicas e de saúde pública para os respectivos países
em áreas como terapia e controle de câncer, terapia celular e
neurociências”. Em nota, afirmou ainda que o país tem cerca de vinte
projetos em andamento entre laboratórios públicos e privados brasileiros
com instituições cubanas. “Em nenhum dos projetos aprovados pelo
Comitê, cabe ressaltar, está prevista a instalação de fábricas
brasileiras em Cuba.”
A
pasta, contudo, não combinou a resposta com os cubanos. Artigo extenso
do jornal castrista Granma aponta o Brasil como principal parceiro de
Cuba no setor farmacêutico. Diz o texto que uma nova etapa na cooperação
entre os dois países iniciou-se após a visita a Havana da presidente
Dilma, em janeiro deste ano. E que a criação de empresas mistas
(brasileiras e cubanas) colocadas na Zona Especial do Porto de Mariel,
“utilizando tecnologia cubana e capital brasileiro”, servirá para
incentivar a produção de biossimilares para “satisfazer as necessidades
dos sistemas de saúde de ambos os países e permitir a exportação
conjunta a outros mercados”. O que ainda não está claro — e o governo se
negou a explicar — é a razão de se investir capital dos contribuintes
brasileiros para desenvolver a indústria de outro país. Trata-se, mais
uma vez, de um presente generosíssimo do Brasil ao regime cubano.
*
EncerroNa sexta, José Serra, criador do programa de genéricos no Brasil, escreveu um artigo na Folha demonstrando como o atual governo ameaça o programa. O que vai acima é outro atentado.
*
EncerroNa sexta, José Serra, criador do programa de genéricos no Brasil, escreveu um artigo na Folha demonstrando como o atual governo ameaça o programa. O que vai acima é outro atentado.
Talvez
um dia saibamos direito a natureza das relações dos petistas com Cuba,
além das afinidades ideológicas. A ilha da tirania virou uma espécie de
caixa preta do governo brasileiro. Como não existe transparência mínima,
as informações, o trânsito de dinheiro brasileiro para Cuba — haverá
também o contrário? — se dá sem nenhum controle. Já houve o
financiamento do Porto de Mariel; há a bolada mensal derivada do “Mais
Médicos” e, agora, a pressão do governo para fazer um setor da indústria
brasileira migrar para a ilha.
A troco de quê?

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