RELAÇÃO MÉDICO / PACIENTE
Esse resultado das eleições traz para nossa reflexão a visão dos pacientes em relação aos médicos. Apesar da “união” da classe médica contra uma ação governamental contrária aos nossos anseios e que tentam buscar junto aos seus pacientes apoio ao seu pleito, através de interferência de caráter eleitoral. Se conseguimos ou não, ainda não podemos avaliar. Porém, o relato a seguir talvez possa nortear aonde estamos negligenciando.
Colegas, essa é a minha história:
Não faço uso de bebida alcoólica e/ou fumo. Não tenho DM. Minha PA tem se mantido regular sem uso de medicação. No dia 08/10, após ingesta de uma alimentação no hospital onde estava de plantão noturno, iniciei com quadro de dor lombar pela madrugada, e pedi ao tec. Enf. e ele me aplicou um Profenid IM. Pela manhã estava com estomago alto e empanzinado e com dificuldade na eliminação de flatos e na ingesta alimentar, inclusive de líquidos. Evoluí dessa forma por 03 dias, usando Buscopan venoso que me aliviava. No domingo(12/10) antes da comemoração de 34anos de formado pela turma 1980-RJ, iniciei com quadro de diarreia (3×dia) que persistiu até 4ª feira (15/10) com alívio da mesma, porém sem conseguir uma ingesta eficaz. Na 6ª feira (17/10) no encontro evitei me alimentar em demasia, porém aquilo que comi piorou ainda mais o quadro, sendo que no domingo (19/10) estava com fortes dores mas não podia deixar de estar no dia final do Encontro. Na 2a a noite (20/10) em meu plantão, realizei uma TC Abd sem contraste que apresentou uma imagem estrelada abdominal e o hemograma tinha uma leucocitose de 12.400. Passei o dia de 3a feira sem conseguir fazer nada em razão da fraqueza e da dor ao tentar me alimentar. Na 3a a noite não consegui dormir direito, sendo que às 05h da manhã de 4ª feira (22/10), baixei PS do Hospital da Bahia com dor e desidratação. Realizei nova TC agora com contraste (após informar ao colega que me atendeu sobre a realização de uma TC sem contraste). O laudo fala em imagem estrelada a nível de mesentério com áreas sugestivas de inflamação e não afastando a possibilidade de tumor carcinoide e ainda com pequeno derrame pleural a direita e cisto hepático. Fiquei internado no Hospital da Bahia, porém, a equipe profissional apesar de ser eu um colega, mostrou-se muito negligente. Desde que cheguei ao hospital nenhum profissional médico me fez qualquer exame clinico e apesar de minha queixa de dor abdominal há mais de dez dias com passado de febrícula e friagem, em nenhum momento palparam meu abdomen.
Pedi que iniciassem com AB, sendo rechaçado meu pedido inicialmente sob alegação de que iriam solicitar hemocultura. Após insistência minha, mostrando estar com sinais de infecção, entraram com Cipro e Metronidazol EV que usei por 48h com alívio do quadro.
Indaguei ao onco-clínico sobre a realização de um tratamento eficaz, ele falou que estava aguardando a realização de outros exames e a avaliação do gastro e do cirurgião. Passados 02 dias no hospital aparece o gastro as 20h informando que iria solicitar a colonoscopia. Saí do hospital após 03 dias (25/10), o cirurgião não havia aparecido e o exame sem ser realizado, pior ainda sem receber o resultado da hemocultura que só será liberado no dia 06/11/14. Mantive uso de Cipro 500 e metronidazol oral, podendo me alimentar em baixas quantidades sem dor.
Entrei em contato com Dr Flavio Ribeiro, cirurgião oncológico, especialista em tumores do intestino e professor de cirurgia da UFRJ, UERJ e Unifeso e ele pediu para que eu viajasse para o Rio de Janeiro com os exames que eu tinha e apesar de ser ponto facultativo do dia do servidor público (antecipação) ele me atenderia na 2ª feira (27/10). Ao avaliar os exames ele falou que estou com semi-obstrução intestinal e que deveria me submeter a cirurgia para retirada da lesão com urgência, pois a mesma poderia evoluir para obstrução total e ter que ser submetido a cirurgia de emergência. Ao me realizar exame clinico, com palpação abdominal, sem que eu lhe pedisse que o fizesse, observou um empastamento em hemi-abdomen direito. Diferentemente do que ocorreu no Hospital da Bahia, fui prontamente atendido e examinado e ele mesmo entrou em contato com o hospital pedindo sala para cirurgia em caráter de urgência em 48h.
Fui submetido a cirurgia de jejunectomia e colectomia parcial com retirada do ceco e parte do colo direito. (Foram retirados 1,40m de intestino no total e encaminhados a patologia). Evolui com dois dias em unidade fechada com hidratação vigorosa por dois dias e inicialmente com alimentação liquida. Aguardo resultado de Estudo Anátomo Patológico. Enquanto isso, mantenho drenagem pressão negativa em sítio cirúrgico. Cicatriz cirúrgica em franca cicatrização. Espero poder retornar as minhas atividades em breve.
A partir de meu atendimento inicial fico Imaginando, que mesmo sendo um profissional com conhecimento técnico, em unidade privada, eu não fui devidamente avaliado pelos profissionais que me atenderam, então como será o tratamento em relação aos usuários SUS e/ou leigos?
Hoje, relacionando com a política, provavelmente tivemos daqueles menos favorecidos, um aviso em relação a nossa desatenção em relação a saúde deles.
Eu me pergunto: Será que as escolas de medicina não estão estimulando o exame clínico entre seus alunos ou seja, priorizando os exames complementares?
Com essa abertura avassaladora de Escolas de Medicina em todo Brasil, aliados à falta de professores titulados e profissionais capacitados e experientes não só culturalmente, mas com vivência prática, não iremos piorar ainda mais a qualidade dos serviços de saúde pública?
HOJE SOU PACIENTE E ESTOU REALMENTE PREOCUPADO SOBRE QUEM IRÁ CUIDAR DA MINHA SAÚDE AMANHÃ.
Rônel da Silva Francisco CRMBA 8069
P.S.
Gostaria de agradecer a todos pelas mensagens, orações e votos de restabelecimento rápido. Desculpem-me por não responde-los individualmente, mas as condições não permitiam.
Muito obrigado. Que Deus continue a nos iluminar sempre.
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