Contexto & objetivos: Todos os antivirais orais de ação direta (AAD) tratam efetivamente a infecção pelo vírus da hepatite C crônica (VHC), mas os benefícios na doença hepática avançada não estão esclarecidos. Comparamos resultados em pacientes com cirrose descompensada tratados e não tratados.
Métodos: Pacientes com VHC e cirrose descompensada ou sob risco de doença irreversível foram tratados em um programa de acesso expandido (PAE) em 2014. O tratamento, a critério do médico, foi com sofosbuvir, ledipasvir ou daclatasvir, com ou sem ribavirina. Para comparação funcional de resultados, foram estudados retrospectivamente pacientes não tratados que tinham VHC e cirrose descompensada, que estavam registrados em um banco de dados 6 meses antes de o tratamento estar disponível. O endpoint primário foi resposta virológica sustentada 12 semanas após o tratamento antiviral (coorte tratada) e o endpoint secundário (ambas as coortes) foi presença de resultados adversos (piora no índice de MELD ou evento adverso sério) dentro de 6 meses.
Resultados: 467 pacientes receberam tratamento (409 com cirrose descompensada). A eliminação viral foi alcançada em 381 pacientes (81,6%) – 209 dos 231 (90,5%) com genótipo 1 e 132 dos 192 (68,8%) com genótipo 3. Os índices de MELD melhoraram nos pacientes tratados (alteração média [1]0,85) mas pioraram em pacientes não tratados (média + 0,75) (p <0,0001). Pacientes com albumina sérica inicial < 35 g/L, com idade > 65 ou com baixas (< 135 mmol/L) concentrações séricas basais de sódio foram os menos prováveis de se beneficiarem da terapia.
Conclusões: Todos os AAD orais curaram o VHC em pacientes com doença hepática avançada. A eliminação viral foi associada com melhora na função hepática dentro de 6 meses, em comparação com pacientes não tratados. O impacto de longo prazo do tratamento para VHC em pacientes com cirrose descompensada ainda deve ser determinado
Nenhum comentário:
Postar um comentário